
Li no agentenarede um artigo sobre um professor da USP que condena veementemente o uso de computadores por crianças. Achei as justificativas simplismente toscas. Lance de quem não se propôs a buscar uma nova prática possível. Coincidentemente, vou iniciar um trabalho com crianças e computadores lá no ciber social (metareciclagem). Daí, juntando tudo, foi irresistível escrever um comentário.
Para saber o que o toscão disse, o link é :
http://www.agentenarede.org/?q=node/view/80
Abaixo, o meu comentário:
O verdadeiro vilão
Minhas experiências com computadores e crianças não me trazem tanta angústia. E, é bom deixar claro que antes de ser o que denomino "info-educadora", sou uma educadora. Tenho formação específica para o trabalho com crianças de 0 a 7 anos há muito tempo e vejo a educação como a maior meta de minha vida. Diante disso discordo plenamente do citado professor. O real problema não se encontra na máquina, mas na forma como nos relacionamos com as crianças de forma global e da postura daqueles que no caso da informática são chamados de monitores. Passado um tempo de minha atuação com crianças de 0 à 4 anos num colégio em São Paulo, fotografei a atuação destas no computador e posso garantir que as imagens não correspondem à descrição do professor. O computador contribui muito com o desenvolvimento infantil, desde que o info-educador (não o tradicional monitor) se preocupe em criar um trabalho sério e saiba se relacionar com as crianças e o ambiente como mediador da relação. E, também é assim com o livro...com a imaginação... A informática precisa deixar de ser vista como uma ciência técnica, exata. A informática lida com informação e as consequências de um trabalho nesta área pode resultar em trabalhos de colaboração, de desenvolvimento e muito mais. Se tudo o que o monitor tem para mostrar de uma ferramenta com tantas possibilidades como o computador é o "game", ou o software 'educativo' (?) criado por um programador de olho no mercado que teve o auxílio de algum diplomado em pedagogia, a experiência é inválida. Mas isso acontece diante de qualquer material que adentra o ambiente educativo. A falha aí, em termos reais, revisita o primitivo problema da educação brasileira: a formação do educador, esteja ele atuando com livros ou com computadores.