Sábado , 24 de Abril de 2004


Conectando Saberes: Postura e Atitude.

Elly Chagas

 

"O papel da àgora virtual não é o de decidir no lugar das pessoas (...),
 mas o de contribuir para produzir o agenciamento coletivo de enunciação,
animado por pessoas vivas."
Pierre Lévy em "Inteligência Coletiva
"


O termo "conexão de saberes" está intimamente associado à postura de respeito à diversidade. Simplificando: para "conectar saberes" preciso deixar de idealizar. Qualquer idéia tem potencial de se tornar um saber. E, é a aposta neste potencial que possibilita a tal conexão, a ligação entre diferentes saberes.
Esta postura apresenta como risco a possibilidade de eu ser incomodada por idéias que arbitrariamente posso considerar impertinentes. Mas, dentro desta mesma postura, faz-se desnecessária a presença de um moderador, uma pessoa física que determine a partir do seu ideal o que é o saber.

Em ambientes onde a conexão de saberes já teve inicializada sua dinâmica, de acordo com os caminhos trilhados até então pelo coletivo, este mesmo coletivo promove a moderação natural das idéias (potenciais saberes) e por meio de atitudes simples. Um exemplo: eu, como parte de um ambiente como este, através de minhas respostas naturais e até mesmo orgânicas às idéias lançadas, colaboro ou não com o propósito daquele que lançou a idéia. E, assim será com todos os outros "nós" desta rede.

Por outro lado, se eu lanço uma idéia neste ambiente, me exponho à atitude do coletivo. E, desta dinâmica dependerá o destino da minha idéia. E nesta experiência eu ganho em aprendizado. E isto se torna um ciclo.

O aprendizado é então estimulado pelo relacionamento entre pessoas e idéias. Entre coletivos e saberes.

A ferramenta tecnológica utilizada não é determinante para que o ciclo e a rede existam.

Conexão de Saberes é postura. É atitude.

E, para entender melhor o que está neste artigo, indico abaixo aos leitores deste sítio alguns endereços de sítios colaborativos onde a dinâmica, a postura e a atitude da conexão de saberes estão efetivamente presentes.

www.liganóis.com.br
www.slashdot.org
www.kuro5hin.org
www.plastic.com  
 
Texto escrito para a coluna semanal da oficina de Pesquisa na Rede: Conexão de Saberes do sitio agentenarede.
Imagens: "A Dança" de Henri Matisse e "Dança" de Glauco Paiva.

Escrito por elly guevara às 20h24
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Quinta-feira , 22 de Abril de 2004


BALÉ DA CIDADE DE S. PAULO

                                          

LIQUEURS DE CHAIR (LICORES DA CARNE) 

DE ANGELIN PRELJOCAJ

 

 

Um feriado muito melhor  que o anterior este.

Fui ver o espetáculo do Balé da Cidade no Theatro Municipal neste último dia da apresentação. Sensualidade e beleza demais! Uma pena não poder indicar a quem não viu. Mas queria de qualquer forma deixar aqui, registrado, o nome dos artistas que fazem de seu corpo pura arte em cena, o que os leva a um anonimato. Esta é uma forma de homenagem e de aplausos digitais à:

Anderson Brás, Érika Ishimaru, Liris do Lago, Luciana Porta, Mariana do Rosário, Paula Zonzini, Tiago Menegaz, Willy Helm, Yasser Diaz, Andréa Thomioka, Alex Soares, Luciane Fontanella, Luiza Meirelles, Marisa Bucoff, Melissa Soares, Milton Kennedy, Robson Lourenço, Tutto Gomes

Escrito por elly guevara às 00h15
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Quarta-feira , 21 de Abril de 2004


CIDADE EDUCADORA

No final de março eu, juntamente com a patakada, a motoki, o th e a marina aqui da equipe de atividades do governo eletrônico de são paulo, realizávamos a formação do usuários dos telecentros que realizariam a cobertura do fórum mundial de educação. Uma das minhas participações seria pensar junto à galera o que seria uma cidade educadora, tema do fórum.

Então, eu e os aliados Hernani, Dalton Martins e Daniel Pádua redigimos o texto abaixo ao qual  juntei a proposta:


Cidade Educadora": Tema central do Fórum Mundial de Educação

O texto abaixo foi criado de forma colaborativa diante do desafio de lançar um olhar sobre uma "cidade educadora", tema central do Fórum Mundial de Educação. O resultado reflete diretamente nas idéias contidas no texto. O desafio é agora lançado a vocês.

Leiam o texto, analisem, debatam e definam entre vocês quais seriam as essências de uma cidade educadora. Desenhem um mapa que mostre um pouco a estrutura desta cidade.


Um olhar sobre a cidade educadora
(Texto de construção colaborativa. Créditos: Elly Chagas, Daniel Pádua, Hernani Dimantas e Dalton Martins)

O que seria uma cidade educadora? A USP, uma 'cidade educadora' dentro da cidade de verdade? Ou tudo na cidade pode oferecer possibilidades educativas? Quais seriam estas possibilidades? Como transformar a cidade num espaço compartilhado de conhecimento para todas as pessoas que moram nela?"

A cidade educadora precisa buscar uma maior ligação entre pessoas, projetos, comunidades e sociedades. Essas ligações apoiariam umas às outras num mutirão de colaboração.

O engajamento de pessoas, como o meu e o teu, é a estrutura de uma cidade educadora, uma estrutura de rede. Então, a cidade educadora deve catalisar suas redes propiciando o desenvolvimento destas num aprendizado transversal, numa dinâmica de socialização de informação bastante descentralizada e acessível às pessoas que moram numa cidade, onde as pessoas socializem informações de forma contextualizada (relacionada às ações das pessoas), para que ela se transforme em conhecimento.

A cidade educadora seria então uma cidade de construtores de conhecimento. As àreas do conhecimento humano deixariam então de ser tão fragmentadas para serem aprofundadas por quem as constrói. Um exemplo: Saúde trata do corpo. Agricultura nutre o corpo. Existe uma conexão entre estes conhecimentos que não é inter-relacionada de forma dinâmica no cotidiano. Daí as pessoas criaram a área de Nutrição, que é a interface entre produção de alimentos e saúde. Quanto tempo foi gasto pra que essa conexão óbvia acontecesse em termos de estruturas de construção de conhecimento?

É preciso repensar a construção de conhecimento de forma que as informações geradas mantenham-se conectadas e acessíveis de forma dinâmica. Ao invés de partir da teoria (que é fragmentada), precisamos gerar a teoria (numa estrutura de inter-relacionamento dinâmico) a partir dos desafios práticos da vida. Uma cidade educadora aproveita melhor seu tempo. Se alguém aprende a fazer algo, de maneira mais simples, essa informação tem de circular da maneira mais dinâmica possível.

E as escolas nesta cidade? Seriam núcleos de observação, descentralização e catalisação. A escola ajuda as redes, mapeia as ações nas pontas dessas redes e auxilia na socialização entre as várias redes. Como? "Conspirando" por espaços de pesquisas aplicadas, eventos, conversas, debates, entre outros, a partir das pontas das redes.

Aqui um dos resultados que fotografei:

Escrito por elly guevara às 00h51
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